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25 setembro 2016

Eu sou Deus - Giorgio Faletti

A explosão de um prédio de vinte e dois andares, seguida pela descoberta de uma carta, levam a polícia a encarar uma difícil realidade: alguns prédios de Nova York tiveram explosivos instalados na época de suas construções. Mas quais? E quantos?Uma jovem detetive que esconde os dramas pessoais sob a sólida imagem profissional e um repórter fotográfico com um passado que deseja esquecer são a única esperança de deter um psicopata que sequer assume a autoria de seus crimes. Um homem que não pode ser responsabilizado pelos próprios atos. Um homem que acredita ser Deus.
Conheci Giorgio Faletti em Eu Mato, um livro que me surpreendeu e agradou bastante. Por isso, ao começar a ler Eu sou Deus, estava com as expectativas lá na estratosfera e sinto dizer que me decepcionei.
Nas primeiras páginas, quando acompanhamos os passos do assassino, cheguei a pensar que seria um ótimo livro. Aí o autor regride no tempo e nos apresenta Wendell Johnson um soldado veterano da guerra do Vietnã. Um homem com cicatrizes tanto físicas quanto psicológicas deixadas pela guerra. Ao acompanharmos a tentativa de Wendell de se reintegrar à sociedade e ficarmos à par de suas memórias da guerra e como ele acabou com o rosto desfigurado o autor reitera uma das suas peculiaridades, a forma como ele humaniza os assassinos tornando-os quase mártires e fazendo da vingança e loucura uma justiça e redenção.
Ao voltar para o tempo atual é que a coisa começa  a se perder. Primeiro um corpo é encontrado num canteiro de obras e a detetive Vivien Light é chamada para resolver o caso. Pouco tempo depois um prédio explode deixando a cidade aterrorizada pensando ser um ataque terrorista. Pra complicar ainda mais a estória é contada pelo ponto de vista de diversos personagens cortando a continuidade e deixando a estória mais confusa, isso porque o autor não se prende apenas aos fatos mas descreve a vida dos personagens, seus problemas, sentimentos e pensamentos. E, se por um lado isso torna os personagens mais consistentes, por outro acaba deixando a trama mais arrastada.

Ainda tem Russel Wade, um fotografo decadente e, digamos, autodestrutivo que por um acaso acaba encontrando a única pista que pode levar a polícia ao autor do atentado e por isso acaba conseguindo o privilégio de acompanhar as investigações.

E se no começo o autor deu grande destaque à mente de assassino nessa segunda parte ele se foca nas investigações deixando apenas breves encontros nos quais ele confessa ao Padre McKean seus crimes e anuncia os próximos. Deixando o padre num dilema entre cumprir com seu dever religioso ou salvar centenas de vidas.
- Dessa vez, juntei a escuridão à luz. Da próxima, juntarei a terra à água.
- O que significa isso?
- Vai entender com o tempo.
 Vou tentar explicar um pouco o que me desagradou no livro e vou tentar não dar informações demais mas pode ser que escape alguma coisa. Então fica avisado.

O principal motivo é que quando acabei o livro fiquei com uma sensação de que faltava alguma coisa. Sabe, o autor deixou durante o livro todo diversas pistas e muitas delas não foram usadas pra nada. Gosto quando as coisas ficam todas bem amarradas e esse não foi o caso do livro.

Outra coisa é que, pra um autor que foca tanto no aspecto psicológico dos seus personagens, deixe de lado uma mente tão perturbada quanto do assassino resumindo isso a uma única fala do psiquiatra. O que me deixou inconformada porque ele termina a estória abruptamente e simples demais. A identidade do assassino me surpreendeu mas, assim como acontece em Eu Mato, isso não era tão relevante quanto os motivos.

Avaliando o livro como um todo ele não chega a ser ruim. Tem um bom suspense, um pouco de romance e Faletti tem um jeito cativante de contar estórias de forma quase poética, mas depois de todo o mistério que permeia o livro o final fica um tanto morno e desconexo. Eu esperava algo mais chocante do Homem que afirma ser Deus.

Esse é o meu poder.
Esse é o meu dever.
Esse é o meu querer.
Eu sou Deus.

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