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28 setembro 2016

A lua de mel - Sophie Kinsella

Sinopse: Ao se dar conta de que o namorado nunca vai pedir sua mão em casamento, Lottie toma uma decisão. Termina o compromisso com ele e diz o tão sonhado sim a Ben, uma antiga paixão, com quem ela havia prometido se casar se ambos ainda estivessem solteiros aos 30 anos. Os dois então resolvem pular o namoro e ir direto para uma cerimônia simples e seguir para a lua de mel em Ikonos, a ilha grega onde se conheceram. Mas Fliss, a irmã mais velha da noiva, acha que Lottie enlouqueceu. Já Lorcan, que trabalha na empresa de Ben, teme que o casamento destrua a carreira do amigo. Fliss e Lorcam então elaboram um plano para sabotar a noite de núpcias do casal e impedir que os noivos cometam o maior erro de suas vidas.
Faz muito tempo que eu não lia um chick-lit e pra ser sincera este não é um dos melhores de Sophie (pra mim o top continua sendo Fiquei com o seu número). Quando li a sinopse pensei em um história bem diferente, esperava um pouco mais de romance, sei lá. Bom, mas vamos à história. Ela é contada em primeira pessoa, intercalando os pontos de vista de Lottie e Fliss.
Lottie é a responsável pelo RH de uma empresa farmacêutica, uma líder como ela se considera. Ela tem 33 anos, um namorado lindo e está prestes a ser pedida em casamento - pelo menos é o que ela pensa - porém o tão sonhado pedido nunca chega e cansada de estar em um relacionamento sem futuro a ainda por cima sair meio humilhada no dia em que ela pensou que ia se tornar noiva ela termina com Richard e decide dar um novo rumo à sua vida.

- Acho que posso até fazer doutorado, sabe? - ela está dizendo, com um tremor remoto na voz. - Quem sabe fazer pesquisa no exterior.
Lottie poderia enganar outra pessoa qualquer, mas não a mim. Não a irmã dela. Ela está mal.

Fliss é a irmã mais velha de Lottie, ela é editora de uma revista e está passando por um divórcio conturbado. Ela é muito protetora de Lottie e muitas vezes acaba a tratando mais como uma filha do que como irmã. O problema é que sempre que Lottie acaba um relacionamento ela faz algo muito estúpido, como entrar pra alguma seita estranha, fazer tatuagem ou colocar um piercing, o que Fliss chama de escolhas infelizes, e ela sabe que Lottie vai fazer alguma loucura.
Eis que surge Ben, um antigo namorado de Lottie, e que a pede em casamento. Cansada de namoros sem nenhum futuro ela acaba aceitando e se casa com Ben repentinamente. Só que Fliss está certa de que isso foi a maior loucura que Lottie podia ter feito e bola um plano para estragar a Lua de Mel do casal. E ainda tem Lorcan, o melhor amigo de Ben que acha que o amigo está tendo uma crise de meia idade precipitada e precisa que Ben se foque na sua Empresa.

O livro é recheado de confusão e situações embaraçosas que é a grande característica de Sophie. Desde as mentiras do pequeno Noah, o filho de Fliss que está inventando histórias e colocando todo mundo em saia-justa até os mordomos do resort em que o casal foi passar a lua de mel. Falando nesses mordomos... cada uma que eles aprontaram, sempre aparecendo nas horas mais impróprias.
O problema do livro é que as protagonistas não causaram muita empatia. Desde o primeiro capítulo eu queria era bater na Lottie, por ser uma mulher de 33 anos achei ela bem imatura parecendo mais uma adolescente. Pior ainda é quando ela percebe que tá errada mas não dá o braço a torcer porque Fliss tinha razão desde o começo. E Fliss devia deixar Lottie viver a vida dela, cometer seus erros e depois aprender com eles. Eu gostei mais da Fliss por ser mais realista, por mostrar os problemas que ela tem com o divórcio e como isso pode mudar uma pessoa, e no fundo tudo o que ela queria era que Lottie não passasse o que ela passou.
Ben era outro que eu queria dar um soco, gente que cara louco, sem noção nenhuma do quer da vida além de colocar o pobre do Lorcan louco. O Lorcan me lembrou o Sam de Fiquei com o seu número um pouco ranzinza, durão mas no fundo ele esconde seus próprios problemas e ressentimentos.

Uma emoção parece surgir no rosto de Locan. Com um movimento abrupto, ele larga a pasta na areia e entra na água, ainda de sapatos e terno. Ele anda a passos largos pelas ondas até chegar onde eu e Noah estamos, e para.

E também tem o Richard, que foi o culpado por toda essa confusão. E quando resolve corrigir... Bem, já é tarde demais.

Apesar de não ser os melhores de Sophie A Lua de Mel é uma boa leitura pra quem quer algo descontraído e cheio de gafes ;)

25 setembro 2016

Eu sou Deus - Giorgio Faletti

A explosão de um prédio de vinte e dois andares, seguida pela descoberta de uma carta, levam a polícia a encarar uma difícil realidade: alguns prédios de Nova York tiveram explosivos instalados na época de suas construções. Mas quais? E quantos?Uma jovem detetive que esconde os dramas pessoais sob a sólida imagem profissional e um repórter fotográfico com um passado que deseja esquecer são a única esperança de deter um psicopata que sequer assume a autoria de seus crimes. Um homem que não pode ser responsabilizado pelos próprios atos. Um homem que acredita ser Deus.
Conheci Giorgio Faletti em Eu Mato, um livro que me surpreendeu e agradou bastante. Por isso, ao começar a ler Eu sou Deus, estava com as expectativas lá na estratosfera e sinto dizer que me decepcionei.
Nas primeiras páginas, quando acompanhamos os passos do assassino, cheguei a pensar que seria um ótimo livro. Aí o autor regride no tempo e nos apresenta Wendell Johnson um soldado veterano da guerra do Vietnã. Um homem com cicatrizes tanto físicas quanto psicológicas deixadas pela guerra. Ao acompanharmos a tentativa de Wendell de se reintegrar à sociedade e ficarmos à par de suas memórias da guerra e como ele acabou com o rosto desfigurado o autor reitera uma das suas peculiaridades, a forma como ele humaniza os assassinos tornando-os quase mártires e fazendo da vingança e loucura uma justiça e redenção.
Ao voltar para o tempo atual é que a coisa começa  a se perder. Primeiro um corpo é encontrado num canteiro de obras e a detetive Vivien Light é chamada para resolver o caso. Pouco tempo depois um prédio explode deixando a cidade aterrorizada pensando ser um ataque terrorista. Pra complicar ainda mais a estória é contada pelo ponto de vista de diversos personagens cortando a continuidade e deixando a estória mais confusa, isso porque o autor não se prende apenas aos fatos mas descreve a vida dos personagens, seus problemas, sentimentos e pensamentos. E, se por um lado isso torna os personagens mais consistentes, por outro acaba deixando a trama mais arrastada.

Ainda tem Russel Wade, um fotografo decadente e, digamos, autodestrutivo que por um acaso acaba encontrando a única pista que pode levar a polícia ao autor do atentado e por isso acaba conseguindo o privilégio de acompanhar as investigações.

E se no começo o autor deu grande destaque à mente de assassino nessa segunda parte ele se foca nas investigações deixando apenas breves encontros nos quais ele confessa ao Padre McKean seus crimes e anuncia os próximos. Deixando o padre num dilema entre cumprir com seu dever religioso ou salvar centenas de vidas.
- Dessa vez, juntei a escuridão à luz. Da próxima, juntarei a terra à água.
- O que significa isso?
- Vai entender com o tempo.
 Vou tentar explicar um pouco o que me desagradou no livro e vou tentar não dar informações demais mas pode ser que escape alguma coisa. Então fica avisado.

O principal motivo é que quando acabei o livro fiquei com uma sensação de que faltava alguma coisa. Sabe, o autor deixou durante o livro todo diversas pistas e muitas delas não foram usadas pra nada. Gosto quando as coisas ficam todas bem amarradas e esse não foi o caso do livro.

Outra coisa é que, pra um autor que foca tanto no aspecto psicológico dos seus personagens, deixe de lado uma mente tão perturbada quanto do assassino resumindo isso a uma única fala do psiquiatra. O que me deixou inconformada porque ele termina a estória abruptamente e simples demais. A identidade do assassino me surpreendeu mas, assim como acontece em Eu Mato, isso não era tão relevante quanto os motivos.

Avaliando o livro como um todo ele não chega a ser ruim. Tem um bom suspense, um pouco de romance e Faletti tem um jeito cativante de contar estórias de forma quase poética, mas depois de todo o mistério que permeia o livro o final fica um tanto morno e desconexo. Eu esperava algo mais chocante do Homem que afirma ser Deus.

Esse é o meu poder.
Esse é o meu dever.
Esse é o meu querer.
Eu sou Deus.