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22 outubro 2015

A Dama da Ilha - Patricia Cabot

O Marquês de Stillworth, Reilly Stanton, quer reconstruir o seu orgulho ferido comprovando para todos e para si mesmo que é um verdadeiro herói e não um bêbado inútil como afirmou sua ex-noiva.

Ignorando todos os conselhos sensatos que recebeu, o londrino Stanton assume um posto médico na remota Ilha de Skye convencido de que pode conviver com as condições de vida, digamos… primitivas. É aí que conhece a senhora Brenna Donnegal, e por mais que tentasse, Stanton não consegue ignorar aquela bela mulher. Ela ocupou o antigo papel do pai como médica local da Ilha, e está mais do que irritada por encontrar Dr. Stanton assumindo seu trabalho e a casa de campo de seu pai. Por bem ou por mal, ela dará o castigo merecido ao usurpador. Mas o que começa como uma faísca de um cabo de guerra entre dois corações orgulhosos logo inflama no fogo ardente da paixão.
A Dama da Ilha é um livro escrito pela Meg Cabot sob o pseudônimo de Patricia Cabot que é como ela assina todos os seus livros de romance histórico com exceção de "Liberte meu coração" que é escrito sob o nome de Mia Thermópolis, protagonista da série "O diário da Princesa", que é a personagem mais famosa de Meg.

Reilly Stanton, o oitavo marquês de Stillworth, acaba de levar um pé na bunda da sua noiva Christine e para tentar reconquistá-la e provar que não é nenhum bêbado inútil ele aceita o emprego de médico em uma pequena ilha escocesa. Logo ao desembarcar na ilha ele verá que sua vida não será nada fácil. Ele resgata um homem do mar, que infelizmente morre. Ele descobre que os moradores da ilha são um pouco malucos e há ainda uma mulher que usa calças de homem e que pode trazer os mortos de volta à vida...

- Não pode ser - o pescador desdentado insistiu. - Stuben não pode ter morrido. Ele nunca morreu.
- Ora, mas essa é a natureza da morte, não acha? - Reilly procurou sorrir com simpatia. - Costumamos fazer isso uma única vez.
Reilly Stanton, mesmo nessa época, pode ser considerado um homem incomum de tão educado e cavalheiro que é. Além do fato de esconder a sua nobreza dizendo ser apenas o Dr. Stanton quando na verdade é Lorde Stillworth. Logo ao chegar na ilha ele se vê em meio a sucessivas confusões e muitas vezes duvida que esteja indo na direção certa para reconquistar Christine.

Já Brenna, como a maioria das mocinhas criadas por Patricia, é uma mulher independente, de espírito livre e com objetivos que vão além de escolher vestidos de bailes e arranjar maridos ricos. Desde que seu pai se foi ela vem ajudando os moradores e seus bichos da forma que pode. Mais eis que um novo médico chega à ilha para estragar seus planos. E há também lorde Glendenning que está decidido a levá-la ao altar e está disposto a usar golpes baixos para conseguir o seu objetivo.

O livro é muito engraçado e previsível. É daqueles que se lê com um sorriso bobo no rosto torcendo para que o casalzinho fique junto no final. Os personagens secundários são muito interessantes assim como os seus bichinhos de estimação.

Reilly terá que lutar para conseguir a confiança dos moradores que no começo só levam seus animais de estimação para serem tratados por ele. É claro que Brenna tem um pouco de culpa nisso, já que o povo a conhece desde pequena. Ela também quer ver o médico bem longe da ilha porque Stanton está se metendo em assuntos pessoais dela.

O triângulo amoroso é bem engraçado. Muitas vezes tive vontade de dar uns socos em Glendenning. O pior é que ele e Reilly acabam se tornando amigos e juntos protagonizam algumas cenas bem engraçadas.

O livro também trata de um assunto sério: a epidemia de cólera, que no século XIX matou milhares de pessoas. Como diz o livro suspeitava-se que a cólera era transmitida por gazes tóxicos e quem dissesse algo diferente era ridicularizado. A forma como a doutora descreveu a descoberta da transmissão da cólera é fictícia mas ela inseriu alguns fatos históricos reais, o que foi bem legal.

A doença era causada por uma coisa muito simples: ignorância. Pobreza e Ignorância.

Livro recomendadíssimo para quem adora um romance água com açúcar, uma pitada de história e muitas gargalhadas.

 Palavras não descrevem um amor verdadeiro. Nada, nenhum dos sonetos de Shakespeare, nem canções de amor chegam perto de descrever o que sinto por você, o que aconteceu desde o momento em que a vi pela primeira vez.




07 outubro 2015

Filme - Perdido em Marte


O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Entretanto, devido a complicações causadas por uma tempestade de poeira, Mark é deixado para trás por sua tripulação e pode se tornar a primeira pessoa a morrer no planeta. Com apenas poucos suprimentos, Mark conta com sua criatividade e inteligência, e embora as possibilidades e probabilidades estejam todas contra ele, Mark luta para sobreviver.

Perdido em Marte é a adaptação do livro de Andy Weir (que eu ainda não li), dirigido por Ridley Scott. Tem no elenco Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara, Sean Bean, Jeff Daniels e Chiwetel Ejiofor nos papéis principais.

A história é a seguinte, um grupo de astronautas está em Marte fazendo pesquisas quando uma tempestade de areia se forma de repente obrigando-os a abortar a missão e retornar à Terra. No entanto, um desses astronautas, Mark Watney, é atingido por um dos equipamentos e todos acreditam que ele esteja morto. Sem condições de procurá-lo em meio a tempestade os outros pesquisadores partem do Planeta Vermelho.

Só que o Mark não morre. Ainda. Ele sabe que isso vai acontecer logo já que as chances dele conseguir permanecer vivo até contatar a Nasa e esta enviar uma equipe de resgate são muito pequenas. Mas ele não desiste de se manter vivo e com uma boa dose de bom humor, muita criatividade e digamos, muita gambiarra, ele tenta se virar com o que tem.



E a pior parte de tudo isso é ter que aguentar as músicas bregas que a comandante da missão deixou no Hab, que eu carinhosamente chamo de A Casinha.

E é lá que ele desenvolve um dos projetos mais geniais que já vi. Plantar batatas em Marte. Usando fezes e urina como adubo e seu conhecimento como botânico.

Este pode parecer mais um filme de ficção cientifica, daqueles bem dramáticos que chegam a cortar o coração. Poderia. Mas não é. Algo que destoa da maioria dos filmes do gênero é o uso de humor e sarcasmo na maioria das cenas. Até mesmo quando algo dá errado nosso protagonista consegue transformar o desespero em uma solução bem cientifica e humorada. Aliás, quase todos no filme tem suas cenas divertidas. Acho que a exceção foi Jeff Daniels que interpretou o diretor da Nasa, o que é uma ironia, já que ele é conhecido por seus personagens cômicos, e eu não consigo ver ele em um personagem sério (foi muito estranho).

A trilha sonora, que muitas vezes é motivo de piada no filme, também conhecida como a discotequinha da Comandante vai desde David Bowie a ABBA e Gloria Gaynor. Sabe aquelas músicas bregas que todo mundo gosta mas tem vergonha de dizer? São essas aí.

Ficção X Realidade


Existem muitas matérias na internet que explicam o que é ficção ou o que poderia ser real, digo poderia porque obviamente ninguém ainda pisou em Marte e não há como comprovar. Os cálculos de trajetória e o tempo de viagem da Terra até Marte são bastante precisos no filme. Ah, e lá os dias são contados como Sol.
A tempestade de poeira é ficção, já que a pressão atmosférica do planeta é baixa e não poderia causar uma tempestade tão grande. Mas a plantação de batatas poderia dar certo e já existem plantinhas sendo cultivadas no espaço. O Pathfinder também existe e realmente talvez pudesse voltar a funcionar caso trocassem a bateria.

Assisti esse filme sem ter visto o trailer e nem lido o livro (que já tô louca pra ler) e me surpreendi muito com ele, principalmente por ter fugido do drama. Pra finalizar só digo uma coisa: "Mark Watney, você é o melhor botânico de Marte!"
O trailer está aí embaixo e, pra mim, ele passa um tom bem diferente do filme.

E aí alguém já assistiu? O que vocês acharam? Conte pra mim aí nos comentários. Bjus, até a próxima!




     

05 outubro 2015

Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo - Benjamin Alire Sáenz





Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.


Esse é um daqueles livros que lembrarei pro resto da minha vida. É tanta emoção em cada frase que é impossível não se apaixonar pela história de Aristóteles e Dante. Dois garotos tão diferentes compartilhando suas experiências um com o outro. Tenho certeza de que todas as palavras que eu vou colocar aqui não farão jus a tudo o que esse livro consegue exprimir mas tentarei fazer o meu melhor.

Escrito em primeira pessoa sob o ponto de vista de Ari, o autor descreve de forma simples mas emocionante a história desses dois garotos e suas famílias.

Ari é um garoto introspectivo, o caçula de uma família de mexicanos que vivem nos Estados Unidos. Parte dessa introspecção é por causa do seu pai, um ex-soldado da Guerra do Vietnã que guarda os horrores da Guerra. Ari tem duas irmãs mais velhas, 12 anos mais velhas e um irmão que todos consideram como morto mas que na verdade está preso. Assim, ele é um garoto solitário até mesmo dentro da própria casa, não que isso o incomode, ele está bem assim.

Naquela tarde, aprendi duas palavras novas. “Inescrutável”… e “amigo”. As palavras ficam diferentes quando passam a morar dentro de você.

Até o dia em que conhece Dante, o garoto impetuoso, confiante e doce. Que gosta de poemas, de nadar e desenhar. Um garoto que poderia ter milhares de amigos mas que escolhe Ari para ser o seu melhor amigo. Assim, esses dois garotos de 15 anos descobrem os segredos da adolescência, da amizade e do amor.
Ao me ver vasculhar o céu através das lentes de um telescópio, Dante cochichou: — Um dia vou desvendar todos os segredos do Universo. Achei graça. — E o que você vai fazer com esses segredos, Dante? — Saberei quando chegar a hora — respondeu. — Talvez mudar o mundo.

Com uma narrativa simples e fluida o autor nos leva a refletir sobre as relações familiares, amizade e amor. Mais do que isso, ele nos faz ver que não devemos ter vergonha de quem amamos. Com uma incrível sensibilidade, o autor ainda trata de um tema muito delicado para se discutir, a homossexualidade. Ambientado no final da década de 80, quando o preconceito era bem maior do que nos dias atuais, Dante irá nos ensinar a não fugir e a nos aceitar da forma como somos.

Besteira, Ari. Você tem a regra mais difícil? Besteira. Duas vezes besteira. Você só precisa ser leal ao cara mais espetacular que já conheceu, o que é como andar descalço no parque. Eu, por outro lado, preciso me segurar para não beijar o melhor cara do Universo, o que é como andar descalço sobre brasas.
Já Ari deverá aprender a enfrentar seus medos e pesadelos, a  amar a si mesmo e aceitar ser amado de volta.
Não consegui decidir se o sonho tinha sido bom ou mau. Talvez bom, porque não acordei triste. Talvez seja essa a forma de classificar um sonho como bom ou mau — como ele nos faz sentir.
Todos os personagens tem algo a aprender e a ensinar mas o que mais me surpreendeu e emocionou foi o pai de Ari que é uma das principais causas do garoto ser tão fechado. Aos poucos ele vai se abrindo e também enfrentará seus próprios pesadelos.
Minha mãe e meu pai deram as mãos. Imaginei como era — como era segurar a mão de alguém. Aposto que às vezes é possível desvendar todos os mistérios do Universo na mão de uma pessoa.
Bom acho que já falei demais né? Pra finalizar gostaria de recomendar o livro pra todas as pessoas sem preconceitos e espero que descubram os segredos do universo junto com Ari e Dante. Eu descobri alguns, acho que nunca descobrirei todos e isso é o que faz desse mundo tão fantástico. Temos tanto a aprender...

Bjus, e até a próxima!!!